
D.Pedro II
D. Pedro II governou o Brasil por quase meio século, de 1840 até a proclamação da República, em 1889. Durante todo esse tempo fez de tudo para se adequar ao padrão de equilíbrio e austeridade do governante perfeito, sempre racional e dedicado aos interesses do país. Mas, em privado, Pedro d'Alcântara passou a detestar cada vez mais as solenidades públicas e viver o exercício do poder como um fardo.
É essa figura contraditória, ao mesmo tempo majestática e rebelde, que José Murilo de Carvalho descreve nesta biografia que vai muito além do retrato convencional do imperador imponente, com suas longas barbas brancas e seus penetrantes olhos azuis. Ser ou não ser era o dilema de um homem que oscilava entre a coroa imperial de d. Pedro II e a cartola comum de Pedro d'Alcântara. Dando igual atenção a ambas as facetas do monarca, o historiador o revela como uma personalidade complexa e torturada entre o dever e o desejo, o Estado e as paixões pessoais. Por um lado, ficamos assim conhecendo a atuação política de um monarca que procurou manter a moderação nas lutas políticas do seu tempo, teve a coragem de preservar a liberdade de imprensa e conduziu o Império à vitória na Guerra do Paraguai. Por outro, vem à tona a figura de um homem tímido, oprimido pelo próprio poder, às vezes inconformado com os sacrifícios pessoais que lhe eram exigidos e, sobretudo, nem sempre capaz de conter suas paixões - como a que por décadas o ligou à preceptora de suas filhas, a condessa de Barral.
1808. Laurentino Gomes
Em 2008, 1808 recebeu o prêmio de melhor Livro de Ensaio da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livro-reportagem e de livro do ano de não-ficção.
- D. Maria de Portugal (a Rainha Louca): Rainha de Portugal desde 1777, porém, devido a problemas de saúde, a regência do Reino é assumida por seu herdeiro, Dom João. Foi alcunhada de Maria, a Louca por conta das célebres crises de alucinação em público. Extremamente católica, assim como toda a Família Real, Maria I chegou ao Brasil em 1808 contra a própria vontade. Inúmeros são os relatos de sentimento de estranheza por parte dos brasileiros à Rainha.
- D. João VI (o príncipe medroso): Dom João assumiu a regência do Reino no lugar da mãe, Dona Maria, que padecia de problemas psicológicos. Em meio às crises conjugais com a esposa, Carlota Joaquina, (resultado de um casamento que revela-se meramente político) Dom João tem o desafio de transferir a Coroa para os Trópicos e mantê-la estável e assegurar o domínio sobre a nobreza.
- Napoleão Bonaparte: O "Vendaval que varreu a Europa", Napoleão Bonaparte subjugou grande parte do "Velho Continente" durante seu temido reinado. O ex-general, ao decretar o Bloqueio comercial à Inglaterra, impulsionou a transferência da Corte para o Brasil.
1822. Laurentino Gomes

1822 é um livro escrito por Laurentino Gomes, o mesmo autor de 1808, editado, no Rio de Janeiro, pela Editora Nova Fronteira . A ortografia utilizada corresponde ao Acordo Ortográfico de 1990.
O livro foi publicado em Portugal pela Porto Editora com um título diferente:1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco pordinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para não resultar . A edição portuguesa sofreu igualmente alterações na sintaxe e ortografia (Acordo Ortográfico de 1945).
"O livro é dedicado para todos os professores de História do Brasil, no seu trabalho anônimo de explicar as raízes de um país sem memoria." (L. Gomes)
Resumo:
Quem observasse o Brasil em 1822 teria razões de sobra para duvidar de sua viabilidade como país. Na véspera de sua independência, o Brasil tinha tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca como um pesadelo. Os analfabetos somavam 99% da população. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as diversas províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação territorial, a exemplo do que já ocorria nas colônias espanholas vizinhas. Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisão, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.
O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência.
Fotografia e Império.
A íntima relação entre o Império brasileiro e a mídia fotográfica é o ponto de partida deste estudo sobre a história das representações - obra que se torna ainda mais interessante quando consideramos que sua autora é argentina. Natalia Brizuela contempla, analisa e interpreta uma série de imagens produzidas no Brasil por fotógrafos (em sua maioria) europeus ao longo do século XIX - desvelando a oscilante relação entre as representações da realidade, os mecanismos do desejo e a construção de geografias imaginárias. Mais que uma ferramenta para registrar e racionalizar o mundo, a fotografia surge aqui como uma forma de construir identidades compartilhadas e de reencantar a natureza.
Ao longo dessas páginas, desfilam personagens fascinantes, como Hercule Florence, aventureiro, naturalista, inventor e fotógrafo; Revert Henrique Klumb, alemão que foi um dos primeiros fotógrafos a retratar as paisagens do Rio de Janeiro; e Marc Ferrez, contratado para desbravar e registrar as vastas terras do Império. Ao mesmo tempo, encontramos revelações surpreendentes sobre personagens que já nos são bem conhecidos - o profundo interesse de dom Pedro II e Euclides da Cunha pela fotografia, por exemplo, aparece nos belos ensaios da autora. Contudo, o verdadeiro protagonista nesse mosaico de relatos é o próprio Brasil - esse espaço ao mesmo tempo familiar e desconhecido, atraente e perturbador, contemplado por tantos ângulos distintos, e jamais decifrado.
Perspectivas da Cidadania no Brasil Império.
O longo e polêmico século XIX continua fascinando os historiadores. Século das grandes expectativas, suas promessas invadiram o sombrio século XX mantendo abertas feridas que as mudanças do Estado-Nação não foram capazes de cicatrizar. Pensar esse período a partir da experiência brasileira, tendo como eixo a questão da cidadania, tem propiciado aos historiadores ricas possibilidades de trabalho, algumas das quais resultaram neste.
Organizadores: José Murilo de Carvalho; Adriana Pereira Campos.
Editora: Civilização Brasileira;
Páginas: 532;
Edição: 1°;
Tipo de capa: Brochura;
Ano: 2012;
Assunto: História;
Idioma: Português.
A Monarquia Brasileira
Às vezes esquecemos que já tivemos no Brasil um governo monárquico, com direito a rei e rainha, barões, viscondes e condes, Trono Real, enfim, tudo a que um reino tem direito. Este já foi o nosso país, e neste livro é possível conhecer como funcionou a monarquia brasileira, percebendo seus pontos positivos e suas principais falhas.
Autor: José Murilo de Carvalho.
O Império do Brasil
O livro mostra as contradições de um país em que conviviam o arcaico e o moderno, escravidão e exclusão social, com o pensamento político liberal, filho do pensamento iluminista. Juntamente com Formação do Brasil Colonial, de Arno Wehling e Maria José C. M.Wehling e República Brasileira, de Lincoln de Abreu Penna, este livro integra uma trilogia sobre a história do país.''
Editora: Nova Fronteira;
Edição: 1;
Idioma: Português;
Páginas: 502.
Imperador Cidadão
Quem foi o homem e o imperador D. Pedro II? Que anseios e frustrações escondiam-se por trás da aparência impassível e ascética do monarca, que assumiu o trono aos 14 anos? Que impacto teve a partida de D. Pedro I para Portugal sobre o herdeiro do Império, então com apenas seis anos e já órfão de mãe? Como ele enfrentou o exílio e morreu pouco tempo depois de deixar o Brasil, em 1889? Qual foi o legado de seu longo governo?
Munido de vasta documentação, o historiador brasilianista Roderick Barman reconta neste livro a vida do último imperador do Brasil, D. Pedro II– para ele o responsável pela construção do Estado nacional brasileiro.
Na obra – que recebeu o prêmio Warren Dean de História do Brasil de 2001, da Conference of Latin American History, da American Historical Association – Barman enfatiza a longevidade e a firmeza da gestão do monarca, relacionando-as à sua personalidade e ao sistema de governo, que teriam moldado em larga medida o caráter e a cultura pública do estado-nação que ele erigiu.
Para enfatizar a capacidade de administração e liderança de D. Pedro II, o livro reconstrói o cenário social e político do Brasil à época em que ele assumiu o poder, em 1841, quando mal havia chegado à adolescência. Era um país intensamente instável, constituído de dezenove províncias unidas apenas pelo idioma e por um governo autocrático, que havia conquistado a independência política e se estabelecido como Estado único havia apenas cerca de duas décadas.
Quando o imperador deixou o governo e o Brasil, 48 anos depois, porém, um Estado-nação havia emergido. Ainda assim, conforme Barman, as realizações e limitações de D. Pedro II foram em grande parte esquecidas pelos brasileiros.



Sugiro outros livros: "Razões Reais", de Mário Saraiva; "Parlamentarismo: SIM! Mas à Brasileira: com monarca e poder moderador eficaz e paternal", de Armando Alexandre dos Santos; "Monarquia", de Dante Alighieri e "Elogio da Monarquia", de Domenico Fisichella.
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